segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um lugar para voltar


Deitei sobre seu peito

Coberto por minha camiseta

Preta

Que cheirava a

Dois dias de trabalho

Olhando suas mãos

Com unhas pintadas

De roxo

Que começavam

A descascar

As pontas já perdiam

A cor

E deixava a cor natural

Aparecer

O meu corpo

Se esgotou

Cheirava a minerais e a paixão

O destino havia sido

Bom

Me deu um colo

Para deitar

Um que não havia

Pedido

Mas que agora era

Meu

Várias garrafas na geladeira

Sem sede por álcool

Só quis ficar deitado

Ali

Era a minha casa

Achei um lugar para voltar

De todas as bebedeiras

Do mundo a mais

Pesada

É a do amor por uma

Mulher

Que te abraça e diz “TE AMO”

E você sabe que tem

De voltar

Para os seus braços

Os velhotes da segunda

Geração romântica

Acertaram em

Algumas coisas

Agora com a minha

Mala nas costas

Volto para a terra dos homens

Que amam

Volto para minha casa

Para minha mulher

Para aquela que

Me aceitou

Mesmo sem poder

Dar nada de bom para ela

Só me aceita

E este débito não

Posso pagar...

É uma dívida perpétua

E dívidas como essas

Só se paga com a vida...

Emilíana Torrini - Jungle Drum