quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Asunción de ti

A Luz


1
Quién hubiera creído que se hallaba
sola en el aires, oculta,
tu mirada.
Quién hubiera creído esa terrible
ocasión de nacer puesta al alcance
de mi suerte y mis ojos,
y que tú e yo iríamos, despojados
de todo bien, de todo mal, de todo,
a aherrojarnos en el mismo silencio,
a inclinarmos sobre la misma fuente
para vernos y vernos
mutuamente espiados en el fondo,
temblando desde el agua,
descubriendo, pretendiendo alcanzar
quién eras tú detrás de esa cortina,
quién era yo detrás de mi.
Y todavía no hemos visto nada.
Espero que alguien venga, inexorable,
siempre temo y espero,
y acabe por nombrarnos en un signo,
por situarnos en alguna estación
por desejarnos allí, como dos gritos
de asombro.
Pero nunca será. Tú no eres esa,
yo no soy ése, ésos, los que fuimos
antes de ser nosotros.
Eras sí pero ahora
suenas un poco a mí.
Era sí pero ahora
vengo un poco de ti.
No demasiado, solamente un toque,
acaso un leve rasgo familiar,
pero que fuerce a todos a abarcarnos
a ti y a mí cuando nos piensen solos.

2
Hemos llegado al crepúsculo neutro
donde el día y la noche se funden y se igualan.
Nadie podrá olvidar este descanso.
Pasa sobre mis párpados el cielo fácil
a dejarme los ojos vacíos de ciudad.
No pienses ahora en el tiempo de agujas,
en el tiempo de pobres desesperaciones.
Ahora sólo existe el anhelo desnudo,
el sol que se desprende de sus nubes de llanto,
tu rostro que se interna novhe adentro
hasta sólo ser voz y rumor de sonrisa.

3
Puedes querer el alba
cuando ames. Puedes
venir a reclamarte como eras.
He conservado intacto tu paisaje.
Lo dejaré en tus manos
cuando éstas lleguen, como siempre,
anunciándote.
Puedes
venir a reclamarte como eras.
Aunque ya no seas tú.
Aunque mi voz te espere
sola en su azar
quemando
y tu sueño sea eso y mucho más.
Puedes amar el alba
cuando quieras.
Mi soledad ha aprendido a ostentarte.
Esta noche, otra noche
tú estarás
y volverá a gemir el tiempo giratorio
y los labios dirán
esta paz ahora esta paz ahora.
Ahora puede venir a reclamarte,
penetrar en tus sábanas de alegre angustia,
reconocer tu tibio corazón sin excusas,
los cuadros persuadidos,
saberte aquí.
Habrá para vivir cualquier huida
y el momento de la espuma y el sol
que aquí permanecieron
Habrá para aprender otra piedad
y el momento del sueño y el amor
que aquí permanecieron.
Esta noche, otra noche
tú estarás,
tibia estarás al alcance de mis ojos,
lejos ya de la ausencia que no nos pertenece.
He conservado intacto tu paisaje
pero no sé hasta dónde está intacto sin ti,
sin que tú le prometas horizontes de niebla,
sin que tú le reclames su ventana de arena.
Puedes querer el alba cuando ames.
Debes venir a reclamarte como eras.
Aunque ya no seas tú,
aunque contigo traigas
dolor y otros milagros.
Aunque seas otro rostro
de tu cielo hacia mí.

Mario Benedetti

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Histoire d'O

Teresa tinha apenas uma obsessão para os dias frios de inverno. Assistir filmes com histórias intrigantes e sexuais debaixo de um cobertor. Adorava a sensação dos corpos nus encaixados um no outro. Os pelos fazendo cócegas em seu corpo. Aquela mão passando por sua barriga. E aquela excitação começando a crescer. Tudo isso fazia o filme mais gostoso. O sexo acontecia e as cenas rolavam. O gozo vinha e presos um no outro aguardando o final do filme para deixar a brisa fria roçar nas costas de ambos na ida para o banheiro.

Começava o inverno e seu namorado a havia abandonado. Foi traída. Humilhada. Correra atrás dele durante meses a fio. E nestes meses de batalha tinha se aproximado muito de Vadinho. Um dos melhores amigos de seu ex. A amizade dos dois jamais fora tão próxima. Parecia que existia um muro entre os dois quando namorava o amigo de Vadinho. Descobriu que era pelo respeito que ele tinha por seu amigo. Agora Teresa conhecia quem era Vadinho. A batalha estava praticamente perdida visto que seu ex começara a namorar outra garota. E com Vadinho as conversas sempre tinham um cunho sexual. Não havia desejo aparente. Apenas brincadeiras.

Mas algo estava acontecendo. Uma certa curiosidade estava tomando conta de ambos. E Teresa estava decidida a matar essa curiosidade. Sabia que Vadinho não cederia facilmente. Respeitava a idéia de ex de amigos seus. Ele mesmo não importava muito com isso. Mas ainda existiam caras que acreditavam nisso. Vadinho não se importaria em transar com todas as ex de seus amigos. Só não o fazia por respeito a eles. Se bem que muitas delas eram muito belas e atrativas.

Ocorre que em uma de suas conversas com Teresa citou que iria assistir História de O. Um filme completamente sexual. Conhecido como o filme que consagrara o pornô-soft. Ela logo se auto-convidou. A imaginação de Vadinho logo alçou vôo. A imaginou nua com ele embaixo de um cobertor encaixada entre suas pernas. Preso. Protegido. Teve uma ereção na mesma hora. Mudou de assusto e deixou as coisas correrem. Mas já havia dito o dia que iria assistir.

Teresa viu ao a oportunidade que esperava para sanar sua curiosidade. Mesmo ele não a tendo convidado se preparou para dar o bote fatal. No domingo a tarde bate na porta da casa de Vadinho. Ele atende e os dois vão para a sala. Ele se assustou com a visita. Mas se excitou. Tinha acabado de começar a assistir o filme. Ali já tinha um cobertor. O sofá cama laranja já estava aberto. Tudo ali era propício. O filme exalava sexo. O sofá exalava sexo. Teresa era puro sexo com seu cachecol no pescoço. Vadinho era o próprio sexo manifestado em um ser humano.

O filme voltou a rolar. As intenções eram claras. Teresa havia ganhado um cobertor. Agora dividiam o estreito sofá cama. O contato físico de ambos era presente. Só tinham os cobertores entre eles e o possível encontro de seus corpos. Lentamente foram se encaixando um no outro. Assistindo o filme lado. O cobertor ainda atrapalhava. Instantaneamente ambos ergueram seus cobertores e dividiam um só. Vadinho começava a mostrar sua empolgação masculina crescendo ao se encontrar com as costas e anca de Teresa. As meias foram as primeiras a sumir. Arrancaram uma do outro com seus pés. Seus corpos sabiam claramente como se livrar dos empecilhos.

Os seios de Teresa começaram a sair de sua blusa. Havia ido sem sutiã. Não queria dificultar os toques de Vadinho. Um gemido suave saiu de sua boca no instante em que alcançava as nádegas de Vadinho. Prendeu suas unhas nela. Sentiu então a força rígida que logo a penetraria lhe encostar. Lubrificou. Vadinho fez questão de conferir. Colocando dois dedos levemente entre as pétalas de Teresa viu escorrer em seu dedos o néctar que ele havia provocado. Levou os dedos a boca de Teresa. Ela engoliu seu próprio sabor como se fosse a primeira vez. Ele quis beija-la. Retirar o que restava daquele néctar. Suas língua se fundiam em contorções.

No ápice de excitação as roupas já não estavam mais ali. Se prenderam um no outro. ele levou seu falo para dentro da cona de Teresa que teve uma leve contração. Era o encontro de um furor que a muito estava estancado dentro dela. Os movimentos de Vadinho eram lentos. Queria sentir seu falo ser encoberto pela cona sedosa e quente de Teresa. A cada penetração ambos pareciam morrer. Seus corpos estavam em puro êxtase. Suas carnes tremiam. Seus sexos descarregavam, mas continuavam a se encontrarem e desencontrarem. Gozaram juntos. Gozaram separados. Ficaram juntos durante quase uma hora de filme. Descansaram com a melodia romântica que tocava no fundo da sala. O filme ainda não havia acabado. Mas aqueles corpos estavam esgotados. Sugaram um do outro todo o vigor que um possuía.

Ejetado o DVD. Se despediram com um beijo no rosto. Ela saiu como havia entrado.

Emilíana Torrini - Jungle Drum