sexta-feira, 24 de abril de 2009

A úlcera

Carlos era um homem moralista que encantou a família de Júlia pelo seu comportamento sempre firme e rígido quanto aos princípios cristãos. Ia a igreja todos os domingos. Rezava um terço todos os dias. Além de ser considerado por todos que o conheciam como alguém irreprovável. Sua conduta social era impecável. Em tudo que fazia era honesto e correto. 

Era o genro perfeito para o Sr. Osvaldo, pai de Júlia, além de ser um funcionário de sua empresa muito eficiente. E por tal motivo o convidava incessantemente para jantar em sua casa e lhe apresentar sua filha Júlia. Tantos convites foram feitos que o rapaz cedeu. 

Ao ver uma moça tão bela, de corpo tão torneado e cabelos escuros descendo as escadas da casa de seu chefe Carlos respirou fundo e corou as faces. A luxúria que ela o fizera sentir foi inevitável. Sentou imediatamente no sofá para esconder o volume que crescia entre suas pernas. Veio logo Osvaldo seu chefe falando bem alto.

- Maria Clara, onde esta sua irmã que não desce? Nosso convidado já chegou, vá logo apressa-la.

A vergonha subiu novamente em seu rosto. Não era Júlia que descia as escadas. Mas quem seria aquela que o excitara tanto ao ponto de enrijecer sua masculinidade desse jeito.

- Me desculpe Carlos! Minha filha deve estar se aprontando para você. Disse a ela que lhe apresentaria um bom rapaz que fazia gosto que ela conhecesse.

- Que isso Seu Osvaldo, não mereço tamanha honra.

- Ah, lá vem ela!

Descendo as escadas vem uma moça magra e um pouco franzina vestida em vestidinho azul claro que a fazia parecer um anjo que descera das nuvens envolvidas com um brilho virginal. Ao seu lado estava a moça que o enrijecera. De faces coradas se levantou e cumprimentou as moças agora com seu pênis mais calmo, aninhado entre suas pernas. Soube mais tarde que aquela moça ao lado de Júlia era sua irmã mais nova Maria Clara, que faria 18 anos no próximo mês e que iria estudar fora do país como presente de aniversário. Carlos esperou Maria Clara viajar para voltar a freqüentar a casa de seu chefe como o mesmo queria. 

Teve medo daquela sensação luxuriosa que o tomara quando viu a irmã de Júlia. Fez novena e se confessou várias vezes para que Deus o livrasse daquele desejo de pecado e infernal.  O medo da atração que sentia por Maria Clara era imenso, fazendo sentir um aperto no estômago. Esperou sua futura cunhada viajar para ir fazer freqüentes visitas a Julia. Os meses foram se passando e Carlos começou a namorar a filha do chefe. Logo a data do casamento foi marcada. Casaram-se. Mas Maria Clara não pode vir ao casamento causando um desgosto tremendo a sua irmã. Desgosto esquecido pelos toques de Carlos na lua-de-mel. 

Mudaram-se para um apartamento de três quartos vivendo durante os dois anos que seguiram uma vida calma e tranqüila até a chegada de Maria Clara da Europa. A moça estava mais viva do que Carlos podia se lembrar. Na festa de boas vindas dada por seus sogros ela fazia questão de estar sempre próxima de Carlos e Júlia. Abraçava o casal a toda hora. Queria matar saudade e se desculpar por ter deixado de comparecer ao casamento de sua irmã. A cada olhada de Carlos para sua cunhada seu pênis parecia querer explodir. Mas a negação desse furor que ela causava nele parecia se igualar com esse desejo de possuí-la. Tirou o terço do bolso se foi para o escritório de seu sogro rezar. 

Sentado no sofá rezando sabe Deus lá quantas Ave Marias e Pai Nossos sentiu uma fincada em seu estômago. Logo depois as dores no estômago iam aumentando a cada dia. Sentia pontadas freqüentes e uma queimação que não passava. Então sua cunhada passou a freqüentar sua casa todos os dias. Sua irmã fazia muito gosto das visitas de Maria Clara. Carlos não reclamava e se fechava em seu quarto quando estava em casa quando das visitas de sua cunhada tomando anti-ácidos e rodando na cama de tanta queimação em seu sexo pela vontade de agarra-la e abrir suas carnes com sua rigidez como de azia no estômago. 

As visitas de sua cunhada eram freqüentes e seu problema estomacal também ficava mais freqüente. Quanto mais seu desejo de trair sua esposa com sua cunhada aumentava mais Carlos passava seu tempo na igreja ou rezando seu terço para que esse fogo fosse apagado de seu corpo. As dores no estômago se tornaram tão intensas e profundas que procurou um médico que o diagnosticara com uma úlcera, começara a tomar remédios que não adiantava nada ao ponto de afetar seu temperamento. O homem calmo e compreensivo para um homem irritadiço. Qualquer coisa o irritava agora, desde uma comida com um pouco mais de sal a uma almofada fora do lugar no sofá. Mas o que mais o irritava era a presença de sua cunhada. 

Os dias foram passando e os remédios não faziam efeito até que começaram as hemorragias. Seu sogro e chefe lhe dera uns dias de folga. Em casa as dores eram cada vez mais intensas. Certa feita sua esposa pedira para Maria Clara ficar em casa cuidando de Carlos enquanto saia para pagar umas contas. Abrindo a porta do quarto do casal Maria Clara achou Carlos deitado na cama sem camisa dormindo. Sentou ao seu lado e ficou passando a mão em seu peito. Acordando com as carícias de sua cunhada Carlos se assusta se encolhe no canto da cama.

- O que você pensa que está fazendo? Quem te deixou entrar no meu quarto? Onde está Júlia – o desespero de Carlos com essa situação era visível, parecia que um monstro estava para devorá-lo.

- Calma Carlos, a Júlia saiu e me pediu para cuidar de você e eu só estava fazendo isso!

- Cuidando de mim?! E isso é jeito de cuidar de uma pessoa! Saia daqui agora e me deixe... – Uma pontada no estômago lhe atacou. Começou a tossir e a guspir sangue.

- Deita Carlos, deita! – Deitando na cama de tanta dor Carlos cede aos cuidados de sua cunhada. – Isso Carlos deita aqui que eu sei o mal que lhe aflige e eu tenho a cura pra ele!

- Você não sabe o que está falando, eu preciso é dos meus remédios...

- Eu tenho o único remédio que lhe poderia salvar. – erguendo a saia Maria Clara tira sua calcinha e senta no rosto de Carlos. – Chupa ela, chupa! Esse é o seu remédio!

Estendendo a língua com hesitação Carlos encosta a língua na boceta de sua cunhada, e apertando seus olhos pelo desgosto de estar sendo levado pelo pecado e a luxúria tenta tira-la de cima de seu rosto. Mas ela se agarrara a cabeceira da cama. Apertando o falo de Carlos ele grita.

- Deus! Oh meu Deus! Afasta de mim esse demônio!

- Carlos o único demônio aqui é esse medo preso aqui na minha mão, todo duro pedindo para ser molestado! – o desespero possuiu aquele quarto e Carlos começou a chorar – Para meu anjo, para! Eu te prometo que se você chupa-la a sua dor vai parar e eu saio daqui de cima, eu prometo!

Chorando Carlos cede e começa a chupar essa flor de pecado. Em segundos cedeu e a chupou com a paixão de um homem viril. Sua dor no estômago se foi e sua boca de encheu de uma boceta macia e sedosa até que na porta do apartamento vem sua esposa. Vestindo a calcinha com uma agilidade não esperada Maria Clara se recompõe e vai até a sala falar com sua irmã enquanto Carlos fica passando os dedos na sua boca e chorando. 

O remorso é um verme que come os homens de fé e Carlos estava sendo comido por dentro agora por dois monstros, um chamado pecado e outro satisfação pelo por vir. Mesmo Carlos achando ser uma coincidência ador sumiu após Maria Clara sair de cima de sua boca o que o fez fugir dela igual a um gato escaldado que tem medo de água fria. Mas com isso pode voltar ao trabalho e a igreja. Passava todos os dias fazendo cerco de oração, tentando se livrar do mal que lhe afligiu, mas aquele gosto não saia de sua boca e a vontade de sentir aquela carne macia novamente o afrontava a todo instante. 

Depois do ocorrido não teve mais nenhuma dor de estômago com também não vira mais sua cunhada. Só via agora imagens de santos, mas ao fechar os olhos sentia os pelos de Maria Clara roçando em seu nariz. Até na igreja seu falo entumecia ao lembrar do pecado cometido. Aos poucos as dores iam voltando e agora mais intensas. O inesperado acontece mesmo Carlos fugindo, recebeu em seu escritório um pacote de Maria Clara. Hesitou e rodou a mesa onde opacote estava enquanto sentia seu estômago verter em sangue. Sentando em sua cadeira rasga a embalagem do pacote e abre a caixa que se encontrava nele. 

Dentro da Caixa encontrou uma calcinha branca de algodão, um frasco pequeno e um bilhete escrito à mão com dizeres: “Meu anjo, aqui vai de presente duas lembranças para você, essa é a calcinha que eu estava usando naquele dia e dentro deste vidrinho está o néctar que você fez brotar em mim, use-o e seu estômago vai estar renovado, isso lhe prometo! E aqui está o meu número de telefone me ligue para eu lhe curar dessa úlcera, me ligue que em mim há a sua panacéia! Beijos!” 

De joelhos e com a boca cheia de sangue Carlos vomita no lixo e agarra o frasco enviado por Maria Clara. Rancando sua tampa se embriaga com o sabor do pecado que ele mais tem asco, a traição. Em segundos seu estômago esfria e seu falo derrete. O choro toma conta de Carlos mais uma vez. Indo para casa em prantos ele se tranca no quarto deixando sua esposa a porta em desespero então adormece cheirando aquela calcinha branca. Horas depois seu sogro chega em sua casa e bate em sua porta. Carlos se assusta com a visita, abre a porta e sai correndo de casa, esbarra em seu sogro deixando-o no chão e foge para a rua transtornado. O verme do remorso se revira no seu estômago, estava sendo comido por esse fogo. Pegando um táxi segue para seu escritório em prantos para se consumir na brasa desse desejo. Ligando para Maria Clara o telefone chama até uma pessoa atender.

- Alô? Quem fala?

- Maria Clara se encontra?

- O senhor é parente ou amigo dela?

- Sou um amigo! Ela está?

- O Senhor não ficou sabendo? Ela foi atropelada quando estava indo visitar o pai dela no trabalho hoje no final da tarde!

Sentado no chão Carlos sente seu estômago sendo perfurado. Tira a calcinha de Maria Clara do bolso e começa a lambê-la. Mas a dor não passa e tenta engoli-la. Morreu asfixiado e com o estômago perfurado de desejo pelo pecado.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Profania

Nunca fui a Igreja por Deus ou por fé alguma, ia para atiçar a minha imoralidade com a inocência de pernas amostras de meninas mulheres quase santas, que ao me verem praticamente sabiam onde as desejavam. Escondem-se no seu recato para não assumir que seus corpos vertiam em mel ao imaginarem o meu falo vibrante a lhes atravessarem suas almas. Mas eu nunca me atrevi a profanar tuas virgindades, não que realmente fossem, ainda eram puras perante minha devassidão, que engolir-nas-iam como eu engulo o mundo pelo fundo do meu copo vazio. Agora não procuro inocência, e nem vou a templos de crença alguma, meu corpo já tão prostituído pelas verdades de becos escuros já não aceita mais conviver com mulheres que não se deixam amar...

domingo, 19 de abril de 2009

Elisa

Deitada na cama Elisa deixa seu corpo pesar sobre o colchão. a levesa que sente não é só a advinda do gozo de uma noite de intenso prazer físico. mas também de um coração que se sente calmo e sem preocupações. um coração possuído pela paixão vibrante que lhe atravessou a alma e de consequência o seu corpo. o pênis de Max não jorrou apenas esperma em seu sexo. jogou para dentro dela a vida que tanto desejava. não um filho. mas a possibilidade de acreditar na felicidade como algo palpável. se encontraram depois de tantas cartas trocadas alguns dias atrás. sempre manteram a diferença inexorável da amizade que fluia entre os dois. a intimidade de conversas inacabáveis sempre tendem transcender a troca de idéias para o enfrentamento de corpos excitados. não fora diferente com esses dois. envolvidos pelas falas e pela intimidade que rodeavam seus corpos caíram um sobre o outro. não havia razão para tal acontecimento. agora estavam ali. Max e Elisa nus trocando carícias vivendo um momento de amor despreocupado se descobriram amantes. um fato que se negavam a ceder. mas o coração já estava entregue e absorvido por essa sensação. nos toques e afagos ela acaricia suas costas brancas e largas enquanto ele dispõe para ela o prazer de gozar e de se sentir entregue a alguém. ela nunca tinha realmente se visto entregue a nenhum homem. seu corpo já fora possuído diversas vezes. essa era a primeira vez que se via realmente nua diante de um homem. teve vergonha de sua nudez. queria se esconder. mas seu corpo pedia o dele. e em um enlace de torpor aceito o fato que agora era realmente dele e não queria mais nenhum homem dentro de si a não ser este que tinha o falo vibrando dentro de suas carnes. sabia que o desejava mais do que ele mesmo a desejava. mas não era uma paixão injusta. e sem mais poder resistir seu corpo começa a verter em mel diante das estocadas de Max. ele sentia como se o corpo de Elisa derretesse por dentro. e a sensação de se saber macho aqueceu sua tocha que queimou de prazer e antes que o corpo dela cedesse o dele caiu em gozo. logo em seguida veio Elisa a cravar suas pequenas unhas em suas costas aceitando o fato de que agora recebera a marca da paixão em seu corpo. essa paz que recebeu e que acalmou seu corpo em cima desta cama somente ao se lembrar de tal acontecimento foi profanada pela melancolia da lembrança de Jorge. um jovem médico que lhe envolveu com os braços gentis da sobriedade para somente usurpar dos prazeres que seu corpo poderia lhe dar. acreditando em tal falácia se deixou levar para seu quarto onde o rapaz gentil e educado se transformou em um pedaço de demônio que a jogou na cama. arrancou sua calcinha. e penetrou em seu sexo. agora ali com aquele corpo pesado se movimentando como um animal sobre si aceitou o momento. mas antes de seu corpo manifestar qualquer arrepio de prazer o cavalo arabe desmontou e gozou. caiu para o lado e parou pesado como um mármore frio. Elisa se resignara. aceitara o egoísmo. pensara no depois. até acreditou que ele não fosse realmente assim. e lhe concedeu o direito da dúvida. já que pelo menos teriam uma noite inteira para passarem juntos. o mármore de se levanta e por ter supostos compromissos a leva embora. usada e agora descartada. mas o seu príncipe alemão apareceu. Max não a via apenas como mulher. via a Elisa que existia ali e se interessava por ela. talvez esse não seja o fim das aventuras sexuais e amorosas de Elisa. mas para ela Max é hoje a única que importa.

Emilíana Torrini - Jungle Drum