quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Asunción de ti
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Histoire d'O
Teresa tinha apenas uma obsessão para os dias frios de inverno. Assistir filmes com histórias intrigantes e sexuais debaixo de um cobertor. Adorava a sensação dos corpos nus encaixados um no outro. Os pelos fazendo cócegas em seu corpo. Aquela mão passando por sua barriga. E aquela excitação começando a crescer. Tudo isso fazia o filme mais gostoso. O sexo acontecia e as cenas rolavam. O gozo vinha e presos um no outro aguardando o final do filme para deixar a brisa fria roçar nas costas de ambos na ida para o banheiro.
Começava o inverno e seu namorado a havia abandonado. Foi traída. Humilhada. Correra atrás dele durante meses a fio. E nestes meses de batalha tinha se aproximado muito de Vadinho. Um dos melhores amigos de seu ex. A amizade dos dois jamais fora tão próxima. Parecia que existia um muro entre os dois quando namorava o amigo de Vadinho. Descobriu que era pelo respeito que ele tinha por seu amigo. Agora Teresa conhecia quem era Vadinho. A batalha estava praticamente perdida visto que seu ex começara a namorar outra garota. E com Vadinho as conversas sempre tinham um cunho sexual. Não havia desejo aparente. Apenas brincadeiras.
Mas algo estava acontecendo. Uma certa curiosidade estava tomando conta de ambos. E Teresa estava decidida a matar essa curiosidade. Sabia que Vadinho não cederia facilmente. Respeitava a idéia de ex de amigos seus. Ele mesmo não importava muito com isso. Mas ainda existiam caras que acreditavam nisso. Vadinho não se importaria em transar com todas as ex de seus amigos. Só não o fazia por respeito a eles. Se bem que muitas delas eram muito belas e atrativas.
Ocorre que em uma de suas conversas com Teresa citou que iria assistir História de O. Um filme completamente sexual. Conhecido como o filme que consagrara o pornô-soft. Ela logo se auto-convidou. A imaginação de Vadinho logo alçou vôo. A imaginou nua com ele embaixo de um cobertor encaixada entre suas pernas. Preso. Protegido. Teve uma ereção na mesma hora. Mudou de assusto e deixou as coisas correrem. Mas já havia dito o dia que iria assistir.
Teresa viu ao a oportunidade que esperava para sanar sua curiosidade. Mesmo ele não a tendo convidado se preparou para dar o bote fatal. No domingo a tarde bate na porta da casa de Vadinho. Ele atende e os dois vão para a sala. Ele se assustou com a visita. Mas se excitou. Tinha acabado de começar a assistir o filme. Ali já tinha um cobertor. O sofá cama laranja já estava aberto. Tudo ali era propício. O filme exalava sexo. O sofá exalava sexo. Teresa era puro sexo com seu cachecol no pescoço. Vadinho era o próprio sexo manifestado em um ser humano.
O filme voltou a rolar. As intenções eram claras. Teresa havia ganhado um cobertor. Agora dividiam o estreito sofá cama. O contato físico de ambos era presente. Só tinham os cobertores entre eles e o possível encontro de seus corpos. Lentamente foram se encaixando um no outro. Assistindo o filme lado. O cobertor ainda atrapalhava. Instantaneamente ambos ergueram seus cobertores e dividiam um só. Vadinho começava a mostrar sua empolgação masculina crescendo ao se encontrar com as costas e anca de Teresa. As meias foram as primeiras a sumir. Arrancaram uma do outro com seus pés. Seus corpos sabiam claramente como se livrar dos empecilhos.
Os seios de Teresa começaram a sair de sua blusa. Havia ido sem sutiã. Não queria dificultar os toques de Vadinho. Um gemido suave saiu de sua boca no instante em que alcançava as nádegas de Vadinho. Prendeu suas unhas nela. Sentiu então a força rígida que logo a penetraria lhe encostar. Lubrificou. Vadinho fez questão de conferir. Colocando dois dedos levemente entre as pétalas de Teresa viu escorrer em seu dedos o néctar que ele havia provocado. Levou os dedos a boca de Teresa. Ela engoliu seu próprio sabor como se fosse a primeira vez. Ele quis beija-la. Retirar o que restava daquele néctar. Suas língua se fundiam em contorções.
No ápice de excitação as roupas já não estavam mais ali. Se prenderam um no outro. ele levou seu falo para dentro da cona de Teresa que teve uma leve contração. Era o encontro de um furor que a muito estava estancado dentro dela. Os movimentos de Vadinho eram lentos. Queria sentir seu falo ser encoberto pela cona sedosa e quente de Teresa. A cada penetração ambos pareciam morrer. Seus corpos estavam em puro êxtase. Suas carnes tremiam. Seus sexos descarregavam, mas continuavam a se encontrarem e desencontrarem. Gozaram juntos. Gozaram separados. Ficaram juntos durante quase uma hora de filme. Descansaram com a melodia romântica que tocava no fundo da sala. O filme ainda não havia acabado. Mas aqueles corpos estavam esgotados. Sugaram um do outro todo o vigor que um possuía.
Ejetado o DVD. Se despediram com um beijo no rosto. Ela saiu como havia entrado.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Muito bem...
sempre estou com o último cigarro
com a última cerveja
com a última conta
esperando a última gota
de esperança se esvair
dos meus olhos
Dexter Gordon
tocava bem,
eu minto bem,
me engano sempre e
engano os outros muito bem
eles querem ser enganados
querem minhas mentiras
ouvem atentamente as elucubrações
de sanatório que regurgito
acham algumas vezes que sou
inteligente
mas não sabem
que estou sempre me acabando
sendo comido por dentro
pela futilidade pedante
que me deixo levar
todos ao meu redor são assim
mentem muito bem
atuam junto comigo em
uma peça muito bem ensaiada
pedi demissão desse grupo de teatro
voltei para os meus últimos cigarros
minhas últimas cervejas
e minhas últimas contas
para esperar essa última
gota de esperança
escorrer
e se misturar ao mundo
numa explosão de supernovas
que me levará ao oriente
a templos budistas
me deixando de fronte a
BUDA
para andar na palma de sua mão
me sentar nela
e lhe contar as minhas profecias
fazer dele meu discípulo
lhe ensinar o poder da embriaguez
consciente
enquanto me embriago
com as mais lindas
pernas orientais que giram o mundo
em seu compasso diminuto
vamos subir nas mais altas
torres e comer pão a céu aberto
deixar cair as migalhas nos transeuntes
rasgar livros para que montem o quebra cabeça
e deixar tudo isso para andar
nas conchas do pacífico
depois iremos nos despedir
pois estarei andando e entrando
nas abobadas mais amorosas
e quentes que já se viram
busco nelas a paixão de me fazer
PARAR
RESPIRAR
E MORRER
mas antes de todo esse cataclismo
hipnótico
a última cerveja
a última conta
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Costas Ocas
Com 23 anos de idade, trabalhando em um bom escritório eu realmente não sei bem o que eu quero da minha vida. Até ai isso é normal. Sei que não quero viver os próximos anos da minha vida deste jeito. Vi que o trabalho não engrandece o ser humano. Apenas o domestifíca. Temos horário pra tudo. E essa responsabilidade de cumprir bem o seu papel atrelada com a hierarquia é desgastante. Muitos passam a amar isso. Sei bem que viver assim não é ruim para as demais pessoas. Pelo menos no começo. Se deixar levar por tudo isso é engraçado. Logo se está cansado o tempo todo e em seguida o seu corpo se acostuma com essa rotina de cansaços diários. Tudo isso parece compensar depois que se recebe o salário. Então a imaginação flui. Onde eu gastaria tudo isso? Que muitas vezes é quase nada. Não se gasta em lugar nenhum. Apenas nas mesmas coisas que já se gasta normalmente. Fazemos as mesmas coisas que sempre fazemos. Mas alguém vai dizer que é bom ter algum dinheiro guardado. Comprar uma casa própria. Um carro melhor. Fazer umas viagens caras de uma semana apenas. Sem contar a possibilidade de se encontrar alguém depois de ter seu espírito acalmado e se casar. Isso é o que as pessoas chamam de ser responsável por si mesmo. São essas as possibilidades de se ser um trabalhador. Não é de todo ruim isso. A questão é que não temos uma certeza de um dia de amanhã para gastarmos essa graninha que deixamos na poupança. Não temos viagens o bastante para compensar todo esse desgaste. Somos engolidos por esse meio de vida que passamos a juventude inteira negando. Chegamos no meio da vida. Casados. Com algum patrimônio material. Talvez esposa e filhos. E dizemos que somos felizes sem querer assumir que temos um buraco bem no meio do peito. A maioria das pessoas ri desses comentários. Fazem muitas piadas com quem diz isso. Sei bem que esse é o caminho para se sustentar os grandes e rápidos prazeres. Dizem que tudo isso é coisa de adolescente irresponsável. Mas não há maneira de se viver melhor do que a de um adolescente irresponsável. Todos querem sair doidos pela vida. Ir atrás de um sonho qualquer. De uma ilusão da sua cabeça. Mas temem perder a segurança de uma vida normal e pouco satisfatória a longo prazo. O interessante é que muitos realmente querem apenas isso. Não quero deixar as coisas que realmente eu acredito para trás. Simplesmente para ter um emprego razoável e com alguns benefícios bons de ostentar. E aqueles que professam para os quatro cantos do mundo que vão cair na vida e na estrada serão os primeiros a se casarem e enveredarem neste abismo sistemático. E quando se bate na porta dessas pessoas com a mala na mão chamando-os para ir embora ou brigarem pelo que querem eles se assustam. Se desesperam. E dizem: NÃO! Eu por ter recebido um pouco de maturidade, ou como eu acredito ter tido o fogo da irresponsabilidade em parte apagado, não me vou de onde estou até ter algum meio de viver minimamente bem. Ou seja, deixar um dinheirinho na poupança. Sou um medroso. Um besta. Talvez até eu ter esse dinheirinho guardado eu já tenha perdido completamente essa chama. E uns anos depois eu vou achar alguns de meus velhos autores que tinham AQUILO e foram pra vida e lembrarei de forma nostálgica e triste de como eu era bobo por querer aquelas coisas no passado. Tenho pensado muito em como eu tenho passado os meus dias, as minhas horas, os meu momentos e como eu deveria realmente vivê-los. Tenho perdido muita coisa ao longo da minha curta vida. Tempo. Amigos. Dinheiro. Transas. Roupas. Não sei se quero mais perder tanta coisa assim. É difícil deixar essa abusada ‘segurança’. Tenho o que comer. O que vestir. Dinheiro pra gastar. Bebidas pra tomar. Algumas garotas de vez em quando pra transar. Mas depois de tomar um fora completamente categórico um tempo atrás eu nunca me senti mais vivo. Foi um prova que de a vida existe e é muito mais do que eu tenho vivido. Fiquei completamente puto da vida com a garota. Liguei pra ela. Queria derramar nela a mágoa que ela havia infligido em mim. Não adianta nada disso. As horas se passaram e eu nunca havia me sentido mais feliz do que ser lembrado que ainda pulsava um coração dentro da minha cabeça. Isso foi um conceito poético. Queria agradecer a ela por me lembrar disso. Mas me tornei tão insanamente empolgado por ter percebido isso que nem me lembrei de ligar novamente para a minha salvadora. Os dias se passaram e a chama foi novamente aquecida dentro de mim. Tenho de fazer as coisas andarem muito rápido. Todos os segundos passamos por um AGORA OU NUNCA. Cada instante é uma decisão definitiva. As nuvens não vão contra o vento. Elas seguem o fluxo. É assim que eu vejo a vida. Ainda tenho muita paixão para sentir, várias mulheres para amar e até talvez ter alguém apaixonado por mim de vez em quando. O que sinceramente é bem difícil. É complicado alguém se apaixonar por mim. Parece que vivo em outro plano. Outro lugar. E todas tem medo de se aproximarem desse lugar onde eu me encontro, como se fossem serem tragadas e jamais resgatadas deste mundo pessoal onde vivo. É muita pretensão romântica. Mas é fato. Temem se aproximar demais de mim. Antes que eu me torne mais um ser humano das costas ocas e com uma graninha na poupança.










