sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Um Pouco de Ilusão

- Saia daqui agora! Aqui não é lugar de brigas!

Assim, cai em cima de um monte sacos de lixo ao lado da calçada expulso de um bar. Ali afundado no lixo apenas com a boca amostra acendi um cigarro e relaxei. Meu descanso acabou com o sol vindo queimar minhas retinas e com aquela mão estendida pra me levantar. Não me lembrava direito quando a tinha conhecido. Mas foi no meio do lixo que ela me ajudou.

- Quer um cigarro? - perguntei.

- Não, e você que ficar ai? - já estava confortável ali. Mas aceitei a ajuda. Me levantei pegando naquela mão de unhas vermelhas descascadas. Dei uns tapas na calça e olhei pra ela. Ria descontroladamente.


- Não acreditei quando você ficou deitado ai por mais de 20 minutos!

- Não tinha lugar melhor para ir. E em casa não tem mais bebida alguma.

- Esperei pra ver o quanto aguentaria. Mas como não se levantava fui ver se ainda estava vivo. - e ela continuou a rir.

- Obrigado e até!

- Espera!

- O que?!

- Sabe onde fica um condomínio chamado Sunrise?

- Eu moro lá! Vamos que eu te levo!

- Ok!

O condomínio Sunrise é um condomínio de kitnets. Ou seja. Sem nenhum cômodo alêm do conjugado de quarto-cozinha-sala-de-estar e um banheiro separado. Lá só moravam desempregados, drogados, traficantes, estudantes universitários pobres, prostitutas e algumas famílias de imigrantes. Só os excluídos iam pra lá. Fui pelo preço já que meu emprego de vendedor não me paga tão bem.

Ela tinha um cabelo preto cortado bem curto. Estava de calça jeans. Um sapato normal. Uma blusa vermelha e uma bolsa colorida do lado direito e uma mala de rodinhas do lado esquerdo. Não era tão bonita e nem feia. Mas tinha uma incognita intrigante no seu sorriso. Subimos juntos. Ela se mudou para o 2º andar, apartamento 203. Eu morava no 4º, apartamento 401. A judei com as malas e subi.

- Obrigado pela ajuda! - me disse quando entrei no elevador. Antes de poder falar alguma coisa a porta se fechou.

Me joguei na parede no elevador e me olhei no espelho. Precisava cortar o cabelo. A barba estava bem. Desci e fui até o mercado. Comprei duas garrafas de vinho tinto e voltei pra casa. Bebi uma na primeira hora e dormi. Não sei que horas eram. Mas uma batida na porta me acordou.

- Tem alguma bebida ai? - era ela na porta. Descalça. De shorts e camiseta branca. Antes de pensar alguma coisa vi a tatuagem em seu ombro. Várias abelhas cobriam o seu ombro esquerdo.

- Entra ai que tenho um vinho! - ela já foi entrando e sentando na minha cama. Eu não tinha um sofá. Apenas duas cadeiras. Uma mesa. Um armário. E um toca discos.

- Espera ai que vou buscar um disco! - Saiu correndo enquanto que colocava os copos e o vinho aberto na mesa. Demorou uns 15 minutos e voltou toda animada com um disco preto na mão.

- Coloca ai pra gente!

- O que é isso?!

- Jhonny Cash. Um disco novo dele que eu adoro! - peguei o disco e coloquei pra tocar. A primeira música que tocou foi I won't back down.

Nos servi e ficamos ali escutando o som tocando a melancolia daquele velho. Ela se sentou com um dos pés na cadeira e ficava olhando meu apartamento.

- Você quase não tem móveis. Nem dá pra dizer que alguém mora aqui!

- Uhum! Ganho pouco. Não dá pra fazer nada.

- E você trabalha em que?

- Sou vendedor?

- Vende o que?

- Coisas! E você o que faz?

- Vende que coisas?

- Coisas!

- Como assim?

- Quer beber ou comprar algum de meus produtos. - virou a cara pra mim.

- Você é meio grosso, sabia!

- Sei sim... não gosto de gente!

- Humm... eu sou artista. Faço curso de artes plásticas.

- Pinta ou o que?

- Pinto um pouco e faço esculturas de madeira de vez em quando. Como gasto muito com materiais me mudei pra cá por conta do aluguel barato!

- Vivo aqui porque não tenho dinheiro mesmo. - ela enfia a mão no bolso de traz e tira uma carteira de cigarro.

- Posso fumar?

- Pode! Me dá um ai... - peguei um cigarro e acendi. Só me lembro dela indo embora com a garrafa de vinho pela metade. Disse que tinha aula logo cedo e que não poderia beber mais.

Dormi até as 9:00. cheguei uma hora atrasado no emprego. Minha chefe brigou comigo e disse que iria descontar todas as comissões das vendas que faria naquele dia. Ela sempre me roubava nas comissões. Só recebia as das menores vendas. Sei que ela colova as maiores no nome dela. Mas era um emprego e eu tinha de aguentar até não ter mais grana pra pagar minhas contas e minhas garrafas de bebida.

Passei no mercado e comprei dois maços de cigarro e uma garrafa de wisky barato. Ela estava na porta do prédio conversando com Wallacy. Um amigo que de vez em quando vinha tentar pegar uma grana emprestada comigo ou beber de graça. Tentei passar como se nem os conhecia. Mas não deu muito certo.

- Não cumprimenta mais os amigos! - Ele já veio me abraçando.

- ah... nem tinha visto que era você.

- ok... e ai vamos tomar alguma coisa mais tarde?

- Vou descansar. To bem cansado.

- Mas a sua nova vizinha aqui disse que vai pagar uma garrafa de vinho pra compensar a que bebeu ontem na sua casa!

- Uma amiga minha vem me visitar hoje. Se vocês quiserem se juntar a gente sem problemas.

- Claro que vamos fazer uma festa hoje no ap do meu chapa aqui. - minha casa ia ser invadida por três pessoas estranhas.

- Que bom porque o meu apartamento ainda tá uma bagunça! ah... qual é o nome daquele vinho que tomamos ontem? É muito bom!

- Santa Helena! - respondi subindo as escadas.

- Vou compra uma garrafa pra gente mais tarde então.

- Ok! - Entrei no elevador com Wallacy do meu lado todo feliz.

- É hoje heim. A de cabelo preto já está na sua. Vamos torçer pra amiga dela ser mais ou menos.

- Uhum! - abri meu wisky e dei um trago.

Elas chegaram lá pelas 21:00. Wallacy só falava de apostas e quanto ele tinha ganho no poker essa semana. Mas não comprava nenhuma bebida pra gente. Só tomava a minha. Ela veio novamente de shorts e camiseta branca. A amiga era baixinha. De cabelos castanhos e usava um vestidinho florido. Parecia descendente de índios. Mas era linda. E parecia que as duas já estavam chapadas. Não sei o que tomaram. Mas parecia bom. Bebemos e bebemos até acabar com todo o álcool que trouxeram e que tinha na minha casa. Wallacy tentava a todo custo dar uns beijos na amiga dela. Acho que a menina se chamava Júlia.

- E ae, o que vocês duas tomaram? - Wallacy perguntou.

- Nada! - as duas começaram a rir.

- Vai conta ai! Tem mais? - ela botou a mão no bolso do shortinho e tirou um saco de maconha.

- Poxa e só agora vocês mostram isso! - já era quase 2 da manhã.


Fumamos uns quatro cigarros de maconha. Júlia foi embora de carona com Wallacy. E ela estava dormindo na minha cama capotada com um dos seios amostra e com o botão da bermuda aberto mostrando que não estava de calcinha. Deitei do seu lado pra dormir. Tentar dormir na verdade. Estava de pau duro só de estar do lado dela daquele jeito. Não sei se foi a maconha. Ou os vinhos. Mas não conseguia fazer ele descer. Dormi rápido pelo efeito do álcool. Acordei por volta das 10:00 no chão. Sem cobertor. Me levantei e ela estava na minha cama abraçada com meu travesseiro e nua. Fiquei excitado novamente.

Tomei um banho pra relaxar. Não sei como ela ficou nua daquele jeito. Vesti roupas limpas. E ela continuava dormindo. Sentei do seu lado. Vi aqueles seios branquinhos. Rosadinhos. E de tamanho médio. Aquelas pernas lisinhas e os cabelos da sua buceta. Passei a mão nas suas pernas. Ela se mexeu e acordou.

- Bom dia! - me disse esfregando o rosto!

- Se veste que tenho de sair pra trabalhar!

- Ok! Desculpa por ter dormido aqui, espero não ter te atrapalhado.

- Sem problemas... Foi você que tirou suas roupas né!

- Ah isso! Eu sempre tiro a roupa enquanto durmo. É uma mania.

- Ok. - ela se vestiu e foi embora me dizendo que qualquer dia sairíamos a noite.

Liguei no trabalho dizendo que não iria porque estava no hospital com infecção intestinal. Paguei 50 pratas em uma consulta pra conseguir um atestado.

Um mês passou e nunca mais a vi direito. Nem mesmo pelos corredores. Mas sempre me lembrava dela deitada na minha cama. Dormindo na maior tranquilidade. Alguém bateu na minha porta naquela noite. Achei que era ela vindo tomar mais uma das minhas garrafas de vinho. Abri esperando ver aquele shortinho novamente. Só vi um vestido branco com flores amarelas claras. Era Júlia.

Veio visitar a amiga e como ela não estava resolveu dar uma passa no meu apartamento. Abri uma garrafa de vinho. E começamos a beber. Conversar. Escutar música. Quando dei por mim estava beijando ela e tirando seu vestido. Ela não usava sutiã. Seus seios eram pequenos. Cabiam na palma da mão.

- Me aperta! - ela dizia no meu ouvido. E eu a apertava pela cintura.

- Me aperta mais! Mais! Me bate! Me bate na cara! - demora um tempo pro homem aprender a bater em uma mulher que gosta de apanhar sem machucá-la. Se o tapa sair errado o rosto dela vai inchar ou ficar até roxo. Tem de se bater com a ponta dos dedos levando a mão pra cima. Ai só arde e elas adoram tanto na bunda como na cara.

Ela gostava de ser dominada. De tomar tapas. De fazer tudo que o cara queria. Fazia todas as posições. Era só ter firmeza que aquela baixinha se derretia. Passamos a noite transando. Foi uma boa trepada. Ficamos nessa durante uma semana. E o nível de submissão dela era impressionante. Em uma dessas tirei o pau de dentro dela pra gozar fora.

- Abre a boca vadia! - ela abriu a boca. - engole tudo! - gozei e ela engoliu.

- Obrigado! Eu te adoro! Faz comigo o que quiser! Você é meu homem! Me come! Me fode!

- Ah é! Então deita ai que vou cagar na suas costas!

- Não... isso não!

- Isso sim! Cala a boca e deita ai! - ela aceitou e se deitou no chão!

Fiquei de cócoras. Na posição de cagar. Começei a passar a bunda nas suas costas. Ela tremia. Então enfiei os dedos na sua buceta. Ela estava toda molhada. Acariciava sua bunda. Costas. Buceta. E ameaçava que estava saindo. Ela gozou. Gozou de novo. E eu sai dali. A levantei dei um beijo na sua boca e dormimos. Não cheguei a cagar. Nem iria. Só ameacei pra ver até aonde aquela submissão iria.

Júlia passou a frequentar bastante meu apartamento. E nada mais de sua amiga. Quando ela apareceu na minha porta toda arrumada com um cachecol colorido.

- Pegue as chaves do carro que vamos dar uma volta!

Vesti uma camisa e entramos no meu fusca velho.

- Trouxe algo para a gente! - me disse enquanto eu dirigia.

- O que?

- Um Santa Helena! - tira o vinho da bolsa.

- Que bom. Mas vamos para aonde?

- Em um bar que conheço! Do Léo!

- Vamos beber o vinho antes?

- Não vamos beber lá!

- Ok! - seguimos para o bar.

Sentamos. Bebemos. Conversamos. Ela tocava a minha mão com seus dedos macios. Ríamos. Trocávamos gracejos. Mas todas vez que ela vinha com suas sutilezas esperando uma reação mais direta minha. Eu congelava. Ela conseguia me congelar. Queria beijá-la mais do que tudo. Sentir suas unhas nas minhas costelas. Deixar ela cavalgar em mim a noite toda. Fazer o que quiser comigo. Mas eu não conseguia reagir nas suas sutilezas. Bebemos mais um pouco e fomos embora. Quando estacionava o carro ela me parou e disse:

- Nossa! Estava com muitas saudades de você! Deixa eu te dar um beijo pra você dormir bem!

Segurou meu rosto e me deu um beijo estranho perto da boca, da bochecha e do nariz. Saiu correndo e entrou no prédio enquanto eu guardava o carro. Na minha cabeça veio a música Domingos. Passaram-se alguns dias e Júlia retorna ao meu apartamento. Desde aquele dia não tinha mais visto sua amiga.

- Ela se mudou! Foi pra outra cidade! - Júlia respondeu quando perguntei sobre ela.

- Como?! - achei estranho.

- É! ela foi embora! Largou a faculdade e tudo mais. - sai sem camisa e de calça jeans pra ver o apartamento dela.

Bati na porta. Ninguém respondia. Chamei por ela e nada. Girei a maçaneta e a porta se abriu. Não tinha nada lá. Apenas o cheiro estranho do seu perfume e da maconha que fumava o dia inteiro.

Voltei pro apartamento. Mandei Júlia embora e apenas ouvi:

Nos ouvidos um som de violino

Na frente uma prateleira de imagens

Por fora uma solidão

Por dentro uma indiferença

Na boca um gosto de solidão

No corpo um suéter velho com cheiro de cigarro

No rosto um beijo estranho

No coração um esperança de novo ter algo novo

E

Na mente,

Um resto

De

Humanidade

2 Clicks:

Adriano Aquino disse...

Caramba rapaz... fazia tempo que algo com mais de 5 linhas não prendia minha atenção na internet... parabéns... Grande abraço e continue com a produção... gostei mesmo.

X (Jorge) disse...

Parabens Felipe, ficou incrivel, um dos melhores contos q ja li!!

Vc se superou nesse.

Emilíana Torrini - Jungle Drum